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"Almas cinzentas fitam-me. Pupilas dilatadas que absorvem desde as minhas mais profundas fendas. Dissecam-me com suas mãos vívidas e cujo odor espalha-se por todo o cômodo de nossa árdua relação; carne viva, agora morta. Enegrecida pela amargura do viver. Sangra, entretanto. Pois há essa ferida de sangrar, tal qual o coração bombeia-o, ainda que esteja as vésperas de sua greve indignada. Bombeia-o pelo corpo, explode todos os canais e obstrui as artérias de radiação. Vestígios de sua formação deformada; destroços em minha mente, granadas em meu estômago. Bomba. Precisão nuclear. Milhares de mortos, somente um. Genocídio desmesurado. Genocida genial, assassino eficaz. Não existo, não mais.
Reclamo minha liberdade, Vossa Graça. Não haveria ela de vir junto do final inescrupulosamente fadado, fardado? É o final, somente. Contente-se com sua prisão libertina em meio ao lamaçal de sua mente, pois insetos comem-te vivo. Aquelas palavras que grudavam-lhe o crânio não existem, tu não o faz. Restou tua sombra. Sombra esta impregnada no local de tua última prece silenciosa. Vestígios de algo, de alguém. Ninguém."
Caio Lobo 

(Source: lobocinzento, via entreversos)


May 28th
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